PROJEFÉRIAS 2020.1 – DEGRAUS PARA O CRESCIMENTO ESPIRITUALEstudo 04 – Temperança: o controle dos desejos e paixões

IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM PERNAMBUCO
SUPERINTENDÊNCIA DAS CAMPANHAS EVANGELIZADORA
Pr. Presidente Ailton José Alves
PROJEFÉRIAS 2020.1 – DEGRAUS PARA O CRESCIMENTO ESPIRITUAL
Estudo 04 – Temperança: o controle dos desejos e paixões
TEXTO BASE: 2 Pe. 1.5-8; Gl. 5.22
INTRODUÇÃO. O crescimento espiritual é contínuo e progressivo e, as qualidades apresentadas por Pedro não se
constituem um fim em si mesmas, mas virtudes que se aprimoram a cada dia, a fim de nos levarem a um conhecimento
aprofundado e amadurecido de Cristo. Vamos analisar a quarta virtude, a temperança, o controle dos desejos e paixões. 
1. TEMPERANÇA: A CAPACIDADE DO AUTOCONTROLE. A etimologia da palavra: O vocábulo temperança vem
do latim temperantia e significa “manter o equilíbrio”. É deste termo que surgiu a palavra “tempero”, cujo verbo
temperare tem o sentido de misturar corretamente, moderar, juntar regular etc. Logo, temperança pode ser traduzida pela
qualidade que capacita o indivíduo a exercer autocontrole sobre seus desejos e paixões.
1.1. Os termos bíblicos para temperança. A palavra temperança não aparece no AT, apesar de algumas passagens
demonstrarem o valor do autocontrole (Pv 21.17; 23.1,2; 25.16). O termo grego usado pelos escritores no NT é enkrateia,
que por sua vez, significa autocontrole, moderação, sobriedade, domínio próprio, etc.
1.2. A importância da temperança na vida cristã. Para os gregos a temperança era a principal virtude. Os apóstolos
descrevem-na sob uma ótica teológica e não filosófica, porém, conservaram a ideia de virtude em oposições aos prazeres
desenfreados. Então, enkrateia se traduz como “moderação”, “contenção”, “autodomínio” (Tt 2.5; Gl 5.24; Lc 21.34; Rm
13.13; 1 Pe. 4.3; 1 Co. 3.3).
2. A TEMPERANÇA COMO UM VALOR ÉTICO-MORAL. Em filosofia, a temperança era exaltada com um valor
ético-moral ou a capacidade do individuo vencer seus próprios vícios. Ajustando esse pensamento à teologia, fica clara a
ideia de que o ser humano, desde a Queda sempre se envolveu com diversos desvios de conduta. Neste particular, vencer os
próprios desejos, constitui-se um traço de caráter ilibado e a exaltação de valores morais, que para alguns são inegociáveis.
Sob este pensamento viveu Enoque, Noé, José do Egito e outros (Gn 5.24; 6.9; 39.7-12).
2.1. O esforço humano da moderação. Sendo a temperança uma virtude moral, faz-se necessário o individuo entender
suas fragilidades e se esforçar para vencer suas vulnerabilidades e tentações. Neste caso, resistir às paixões é a essência da
temperança. Identificar as fraquezas e ser capaz de se conter os apetites é o esforço humano necessário para desenvolver a
temperança como valência moral. É por isso que uma pessoa comedida era chamada de “enkretês” ou seu termo similar
“nephalios” = mestre de si mesmo, ou seja, aquele que não se torna escravo de seus próprios desejos (Tt 2.2).
2.2. Amparo da graça divina. Não obstante ser preciso empenhar esforços na busca de se manter equilibrado ante às
paixões, é certo dizer que é difícil o homem conseguir isso sozinho: ele precisa está amparado pela graça de Deus (2 Tm
2.1). Para isso é necessário manter uma vida regular de oração, meditação, devoção e adoração a Deus (Mt 26.41).
3. A TEMPERANÇA COMO CARACTERÍSTICA DO FRUTO DO ESPÍRITO. O Que é o Fruto do Espírito? É um
grupo de virtudes produzidas pelo Espírito Santo na vida daqueles que nasceram de novo. Segundo o ensino paulino aos
gálatas, são nove qualidades, a saber: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança.
(Gl 5.22). Estas qualidades são marcas do caráter de Cristo que é refletido no caráter do salvo, pela influência do Espírito.
3.1. A temperança produzida pelo Espírito. Para o crente, a temperança é muito mais que uma autonegação ou o esforço
humano diante dos vícios, pois, neste aspecto, até uma pessoa natural pode conseguir bons resultados, haja vista, esse
autocontrole ser uma virtude moral. No entanto, a temperança [Gr, enkrateia] como parte do Fruto do Espírito é a
“capacidade de se controlar”, não meramente pelo esforço humano, mas, pela disposição de submeter à vontade humana à
obediência a Cristo. É o desejo de ser como Ele é, ainda que isso lhe custe a autocrucificação (2 Co 10.5).
3.2. Refletindo o caráter de Cristo. Uma pessoa moderado, sob a perspectiva bíblica, é aquela capaz de abrir mão de seus
caprichos carnais [abandonar as obras da carne] para exaltar os valores do Reino de Deus e refletir as características do
caráter de Cristo (Mt 10.25; 1 Jo 1.7; 2 Co 4.6).
CONCLUSÃO
É sob a perspectiva da submissão a Cristo e da busca pelo Seu conhecimento que Pedro aspirava pelo crescimento
dos seus leitores, os quais se acrescentassem à sua fé, a temperança e as outras virtudes em análise, eles não seriam
inoperantes e improdutivos.